IMAGEM ILUSTRATIVA

Volta ao Corpo

UM SOLO SOBRE O QUE FICA NO CORPO DEPOIS DO QUE ACONTECE COM A GENTE
TEATRO · CIÊNCIA · AUTOFICÇÃO  ·  EM CRIAÇÃO
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A OBRA

Uma autópsia viva

Em um futuro distópico, em algum lugar do Brasil, uma cientista cansada das dores crônicas que atravessam seu corpo (e da medicina tradicional que insiste em julgá-la, sem apresentar saídas), toma uma decisão radical, que a própria ciência não autoriza: ela será a cobaia de si mesma.

Inspirada por filmes de ficção científica, envia sua consciência numa jornada perigosa e poética para dentro de si mesma. O experimento é instável e tem prazo de validade. Se não voltar em noventa minutos, ela se perde lá dentro.

Misturando autoficção, ciência, delírio e razão, Volta ao Corpo é uma aula-performance onde o corpo vira sala de aula, arquivo, palco e território sagrado. Em meio a bisturis, memórias celulares, vídeos de arquivo, humor ácido e práticas somáticas, a protagonista disseca seus próprios traumas, da infância ao burnout, das violências escancaradas às invisíveis. E da beleza selvagem que teima em resistir sob a pele.

É um solo. Um ensaio visceral. Uma autópsia viva. Um manifesto pela reconciliação com o próprio corpo. Porque o trauma não é o que acontece com a gente. É o que fica no corpo depois do que acontece com a gente. E é preciso voltar pra ele.

Ficha médica cenográfica da personagem, com o nome de Rafaela Cappai
Estudo de cena: laboratório de anatomia com banheira de metal ao centro do palco
ESTUDO DE CENA · IMAGEM ILUSTRATIVA · A FORMA FINAL SERÁ DEFINIDA NOS ENSAIOS
A EXPERIÊNCIA

A viagem é pra ser sentida

Entrar na sala é entrar num laboratório de anatomia precário, de um futuro distópico, num tempo impossível de se situar: azulejo branco, assepsia, luz fria de holofote industrial, armários com gavetinhas de metal, modelos anatômicos na prateleira, equipamentos. Zumbido de máquina, aço, ordem. A plateia chega com o corpo já em estado de exame. Quem assiste acompanha a viagem por dentro, não por fora.

No centro, uma banheira de metal funciona como câmara de privação sensorial. É o ponto de contato entre o fora e o dentro: é ali que a cientista se conecta aos próprios aparelhos e mergulha. A viagem acontece por projeção mapeada sobre o corpo e sobre as superfícies da sala: tecido, sangue, sedimento, partícula em suspensão, memória que sobe como bolha. A cena muda de escala sem trocar de cenário, de sala de exame para dentro de uma célula, de um corpo para a experiência coletiva.

POR QUE AGORA

Tema e urgência

O corpo virou problema logístico. Hiperconectadas e desligadas da própria carne, as pessoas medem o sono, contam os passos e seguem protocolos, mas todo esse aparato serve para performar e otimizar, não para sentir. Quanto mais dados sobre o próprio corpo, menos a gente o habita. A dissociação deixou de ser sintoma e virou rotina.

O BRASIL LIDERA OS ÍNDICES MUNDIAIS DE ANSIEDADE.
E FIGURA ENTRE OS PRIMEIROS EM DEPRESSÃO.
1/3 DOS TRABALHADORES ATIVOS NO PAÍS SOFRE DE BURNOUT.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2023 · ISMA-BR, 2019

Ansiedade, burnout e dor crônica são linguagens dessa desconexão. A obra não disputa o lugar do diagnóstico e do tratamento: retoma uma tecnologia ancestral, habitar o próprio corpo, que a ciência contemporânea do trauma confirma e que práticas brasileiras exercem há séculos. Voltar ao corpo é caminho essencial pra cura.

Macro de bolhas em líquido vermelho-terracota, como sangue visto de perto
Parede de azulejos de um laboratório antigo, com trecho manuscrito do texto do espetáculo: Meu querido corpo, antes de mais nada eu te peço desculpas por ter demorado tanto tempo para te responder
INOVAÇÃO

Da criação à comunicação

Volta ao Corpo inova em três frentes que se sustentam: na linguagem da cena, na relação que constrói com o público e no modo como se comunica.

Na linguagem. Uma aula-performance que cruza teatro, ciência e autoficção: a cena alterna registro didático e poético, incorpora práticas somáticas e convida a plateia a participar do experimento, não como recurso de interação, mas como tema da própria obra. A viagem para dentro do corpo é resolvida por projeção mapeada, que muda a escala da cena, de sala de exame a interior de uma célula, sem troca de cenário.

Na relação com o público. A cocriação inverte a lógica usual de formação de público: em vez de conquistar espectadores para um produto pronto, o projeto forma vínculo durante a construção da obra. O público não decide a obra, mas o material humano de que ela é feita vem dele, com escuta ativa através das mídias sociais e curadoria da direção.

Na comunicação. O conteúdo digital é o motor, não o apoio: o processo de criação vira narrativa pública contínua, e sobre essa camada opera um método de comunicação de performance consolidado na economia digital e ainda raro no teatro, com campanhas segmentadas, criativos próprios e decisão orientada por dados.

QUEM FAZ

Equipe

Rafaela CappaiRAFAELA CAPPAItexto, direção-geral e atuação30 anos de carreira · mestre em Artes pela Goldsmiths, University of London
Marcelo CastroMARCELO CASTROdireção artísticamembro-fundador do Grupo Espanca!
Vinícius De SouzaVINÍCIUS DE SOUZAconsultoria dramatúrgicacoordena o Núcleo de Pesquisa em Dramaturgia do Galpão Cine Horto
Marina ArthuzziMARINA ARTHUZZIiluminaçãoPrêmio Shell de Iluminação 2026
Bruno PeixotoBRUNO PEIXOTOcriação audiovisualbolsa Funarte · videodança
Renata CappaiRENATA CAPPAIconsultoria somáticaSomatic Experiencing · especialista em trauma
LEGADO

Rede de Realizadores

Por onde o espetáculo passar, fica formação: oficinas gratuitas de comunicação e formação de público para artistas, produtores e técnicos locais, com metade das vagas reservadas a mulheres realizadoras. O próprio projeto é o estudo de caso, com estratégias, números e aprendizados reais, e o método será publicado em formato aberto ao final, à disposição de quem faz teatro no Brasil.

FICHA
TÍTULO
VOLTA AO CORPO
FORMATO
SOLO · AULA-PERFORMANCE
DURAÇÃO
90 MINUTOS
CLASSIFICAÇÃO
16 ANOS
TEXTO, DIREÇÃO E ATUAÇÃO
RAFAELA CAPPAI
DIREÇÃO ARTÍSTICA
MARCELO CASTRO
CONSULTORIA DRAMATÚRGICA
VINÍCIUS DE SOUZA
PROCESSO ABERTO

A criação é pública

Desde a pré-produção, o processo de criação é aberto: registros de ensaio, bastidores, escuta ativa do público e ensaios abertos com roda de conversa. Quem acompanha chega à estreia com vínculo, não só com curiosidade.

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PATROCÍNIO

Entre em cena com a gente

Volta ao Corpo está aprovado na Lei Federal de Incentivo à Cultura, sob o PRONAC 2510613, com captação aberta. Empresas tributadas pelo lucro real e pessoas físicas que declaram no modelo completo podem destinar parte do imposto de renda devido para viabilizar a montagem e a circulação do espetáculo, com dedução integral prevista no Artigo 18 da Lei Rouanet.

O patrocínio oferece contrapartidas de visibilidade de marca, relacionamento e hospitalidade, ativações junto ao público, presença no conteúdo digital do processo de criação e associação a um programa de formação e impacto social, dimensionadas conforme a cota e o perfil de cada parceiro.

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